O crescimento de uma Instituição de Ensino Superior é um sinal de saúde institucional. Novos cursos, polos EaD, aumento de vagas e expansão para novas modalidades demonstram que a IES está viva, relevante e respondendo às demandas do mercado. Mas há uma questão que todo gestor precisa enfrentar: esse crescimento está sendo acompanhado pela conformidade regulatória?
Sustentabilidade regulatória é exatamente isso: a capacidade de expandir sem perder o equilíbrio com as exigências do MEC. Não se trata de crescer devagar, mas de crescer com estrutura. Uma IES sustentável do ponto de vista regulatório é aquela que consegue ampliar sua atuação sem acumular passivos, sem correr riscos de supervisão e sem depender de medidas emergenciais para se regularizar.
O desequilíbrio acontece quando a expansão supera a capacidade de gestão. Quando novos cursos são abertos sem que o Projeto Pedagógico esteja plenamente alinhado às diretrizes. Quando polos EaD são criados sem que o Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) tenha sido atualizado. Quando o corpo docente não acompanha o ritmo da oferta. Quando os processos no e-MEC entram na fila de prioridades secundárias.
O resultado disso são riscos que podem comprometer todo o investimento: conceitos baixos nas avaliações externas, diligências não respondidas adequadamente, processos de supervisão instaurados e, no limite, a suspensão de cursos ou da própria operação institucional.
A construção de uma IES sustentável começa pelo planejamento integrado. O PDI não pode ser um documento engavetado; ele precisa ser a bússola da expansão, atualizado sempre que novos passos são planejados. Os PPCs precisam nascer já alinhados às Diretrizes Curriculares Nacionais e aos instrumentos de avaliação. O corpo docente precisa ser dimensionado não apenas para o início do curso, mas para toda a jornada até o reconhecimento.
Além disso, é essencial que a gestão regulatória seja encarada como função estratégica, não como tarefa burocrática. Acompanhar prazos, responder a diligências com fundamentação técnica, manter os dados do Censo da Educação Superior consistentes e preparar-se para as avaliações externas com antecedência são ações que não podem esperar o último momento.
Crescimento sustentável não é sobre conter a expansão. É sobre garantir que cada novo passo tenha uma base sólida. Quando a conformidade anda junto com a estratégia, a IES cresce com segurança, constrói reputação e colhe resultados duradouros. Qualquer outro caminho é crescimento com prazo de validade.